— Por favor, só mais uma dose, prometo ir embora depois desta.
— Moço, você não está mais em condições para isso, vá para casa. Estás aqui desde cedo bebendo.
— Mais uma dose e irei para casa.
“Amélie,
Estás vendo o que fazes comigo? Fui expulso do bar por sua culpa. Pois queria incessantemente completar o teu vazio com álcool. Mas quanto mais bebia, mais teu vazio aumentava. Mais falta tu fazias e mais lembranças tuas me vinham à mente. Você vive me pedindo para beber menos, fumar menos, gritar menos, brigar menos, e não entende de que “menos” não funciona comigo.
Tua ausência acabou sendo que nem álcool, me deixou ébrio e me matou por dentro; tirou de mim as minhas palavras e deixou-me sem reação. A diferença é que o efeito da tua ausência não passa com água fria. Ele continua aqui. Continua nos meus dias e nos meus pensamentos…
Tua ausência continua no meu peito, cavando um buraco cada vez maior e mais profundo. Hesito em ir atrás de ti, pois não tenho certeza se você sente minha falta. Por isso te deixei ir. Deixei-te em uma estrada e não olhei para trás, segui um caminho contrário ao teu para nunca mais te encontrar. Eu sei… Eu não te disse adeus. Mas não foi porque eu esqueci e sim porque ele não conseguiu ser mais forte que eu. Eu o prendi em meu peito e o impedi de sair e dramatizar mais o momento. O impedi de impulsionar as minhas lágrimas a saírem junto com ele.
01h46m. Eu desisti de você. Desisti de nós. E por mais que todos me encorajem dizendo que tudo sempre dar certo no final, eu sei que na realidade não é assim. Sei que, talvez, o “certo” seja eu ficar longe de ti e tu longes de mim. A vida não é um filme de romance, Amélie. Na vida nós perdemos e somos obrigados a conviver com essa perda. Eu perdi você. Perdi-te pros ares. Perdi-te pra vida e agora sou abrigada a conviver sem você.
Jacob”.(febredesentir - Jack e outras drogas)
Carta rasgada.